quinta-feira, 11 de junho de 2009

Servir: privilégio de poucos

É natural ao coração humano a busca de conforto, status, poder e tudo quanto vem agregado a estas realidades. Tiago, João e sua mãe foram até Jesus solicitar tais privilégios na consumação do reino de Deus. Jesus não disse nem que sim, nem que não, mas aproveitou para reforçar que o reino de Deus é reino de servos e, portanto, os servos são os verdadeiros governantes do mundo. No reino de Deus, o privilégio e o ônus de governar não é das “pessoas importantes”, mas dos servos, até porque, governar é servir. No reino de Deus, a maneira de governar não é exercendo domínio sobre os governados, mas servindo os governados, até porque, governar é servir. Na lógica do reino de Deus, o oposto também é verdadeiro: servir é governar.

Para servir é necessário sair da zona de conforto, isto é, fazer o indesejado, dedicar tempo para tarefas pouco atraentes, assumir responsabilidades desprezadas pela maioria, fazer “o trabalho sujo”, enfim fazer o que ninguém gosta de fazer. Para servir é necessário vencer o orgulho, isto é, se dispor a ser tratado como escravo, ter os direitos negligenciados, ser desprestigiado, sofrer injustiças, conviver com quase nenhum reconhecimento, enfim, não se deixar diminuir pela maneira como as pessoas tratam os que consideram em posição inferior. Para servir é necessário abrir mão dos próprios interesses, isto é, pensar no outro em primeiro lugar, ocupar-se mais em dar do que em receber, calar primeiro, perdoar sempre, sempre pedir perdão, enfim, fazer o possível para que os outros sejam beneficiados ainda que ás custas de prejuízos e danos pessoais.

Não é por menos que em qualquer sociedade humana existem mais clientes do que servos. Servir não é privilégio de muitos. Servir é para gente grande. Servir é para gente que conhece a si mesma, e está segura de sua identidade, a tal ponto que nada nem ninguém o diminui. Servir é para gente que conhece o coração das gentes, de tal maneira que nada nem ninguém causa decepção suficiente para que o serviço seja abandonado. Servir é para quem conhece o amor, de tal maneira que desconhece preço elevado demais para que possa continuar servindo. Servir é para quem conhece o fim a que se pode chegar servindo e amando, de tal maneira que não é motivado pelo reconhecimento, a gratidão ou a recompensa, mas pelo próprio privilégio de servir. Servir é para gente parecida com Jesus. Servir é para muito pouca gente.

A comunidade cristã – a Igreja, pode e deve ser vista, portanto, como uma escola de servos. Uma escola onde aprendemos que somos portadores do dna de Deus, dignidade que ninguém nos pode tirar. Uma escola onde aprendemos que, por mais desfigurado que esteja, todo ser humano carrega a imagem de Deus. Uma escola onde aprendemos a amar, e descobrimos que, se “não existe amor sem dor”, jamais se ama em vão. Uma escola onde aprendemos que “mais bem aventurada coisa é dar do que receber”.

Servir é mesmo privilégio de poucos. De minha parte, preferiria ser servido. Mas aí teria de abrir de mão do reino de Deus. Teria de abrir mão de desfrutar do melhor de mim mesmo. Teria de abrir mão de você. Definitivamente, me custaria muito caro. Nesse caso, continuo na escola.

Por: Ed René Kivitz

Fonte: http://www.ibab.com.br

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A base do relacionamento cristão


I João 4. 7-21

Relacionar-se com Deus e com os homens em amor, tendo perfeita harmonia, é um constante teste de vida cristã. Como diz o versículo 8, “aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor ”. Podemos, portanto, verificar que se um crente não consegue colocar Deus em primeiro lugar e amar a seu irmão ele ainda não conhece a Deus e não é filho Dele. Os cristãos mostram que são filhos de Deus manifestando atitudes de sacrifício e ações como as de Jesus.
Nós, como filhos de Deus estamos inseridos numa sociedade e nosso comportamento tem de refletir sempre o caráter de Cristo em todas as áreas da nossa vida. É impossível ser crente apenas dentro da igreja; assim como é impossível ter comunhão com Deus e não tê-la com os irmãos.
Podemos definir o relacionamento cristão em duas linhas, a vertical e a horizontal. A linha vertical é o relacionamento do ser humano com Deus, a linha horizontal é o relacionamento de um ser humano com outro ser humano. Farei uma breve exposição das duas vertentes, a fim de avaliarmos as nossas vidas nestes dois aspectos.
Na relação vertical existem algumas atitudes que revelam o crente que tem uma vida de amor a Deus. São elas: devoção e serviço.
Devoção – Além de amar a Deus sobre todas as coisas, esse crente busca-o em oração e na leitura da palavra. A oração demonstra dependência de Deus e confiança no que ele pode fazer. Em I Te 5. 17, 18 é dito: “Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque essa é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.”
A leitura da palavra é fundamental para um comportamento em conformidade com a vontade de Deus, pois é nela que Ele se revela. Deus deixou, através da Bíblia, os ensinamentos para uma vida de santidade. O estudo da palavra de Deus deve provocar, pois, mudança de vida e melhores atitudes no crente em Jesus.
Como tem sido a nossa vida de devoção a Deus? Tenho reservado tempo diário para o estudo da palavra e para a oração?
Serviço – O crente que ama ao senhor Jesus Cristo terá prazer na sua Lei e em trabalhar para Ele. Trabalhar na obra é uma das coisas mais gratificantes para o servo do Senhor. No Salmo 100. 2 está escrito: “Servi ao Senhor com alegria, apresentai-vos a ele com cânticos.” O verbo servir, neste versículo, significa trabalhar, servir, realizar tarefa em lugar de alguém; ser servo; cultuar. Quando a pessoa amar realmente a Deus, o serviço na casa de Deus será um prazer e não uma obrigação. Devemos avaliar melhor nossos corações quando rejeitarmos um serviço, seja qual for o motivo. Deus é Santo e merecedor de toda a adoração e dedicação.

O relacionamento horizontal abrange as interações entre os seres humanos. Podemos sentir que se relacionar com Deus é mais fácil do que se relacionar com os seres humanos - que podem ser imprevisíveis, falhos, mentirosos e inconstantes.
Você pode estar se perguntando: “o que fazer com aquele irmão/ vizinho/parente/ patrão/de quem eu não gosto? Esforço-me em tolerá-lo e amá-lo, mas não consigo!” É preciso lembrar que existem diferenças no modo de pensar e agir.
Relacionar-se com pessoas não é tarefa fácil, mas Deus em sua palavra diz (v. 20) “Se alguém disser: amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”. Deus ensina que quando depender de nós, devemos buscar ter paz com todos. A Bíblia nos ensina alguns valores que devem ser incutidos na prática de todo aquele que é nascido de Deus, são eles: o respeito, a tolerância, o perdão e o auxílio. Se o crente está debilitado em alguns destes valores, ele não expressa o amor genuíno que vem de Deus; se o crente não sabe perdoar, ele não sabe amar. Se o crente não sabe respeitar, ele não ama a seu irmão. Se ele não tolera as debilidades e fragilidades do irmão, ele não ama; se ele não auxilia aos fracos e necessitados, ele não ama.
Se não existe amor no relacionamento do homem com o próprio homem, não existirá de maneira alguma amor a Deus. E esse crente que não conhece a Deus não conhece o amor, pois Deus é amor. (v. 16) “b. E aquele que tem amor, permanece em Deus, e Deus nele”.

Para manifestar o amor a Deus, temos que entender que estas duas linhas estão em relação mútua, é preciso haver amor a Deus e amor aos homens. Um amor não poderá ser verdadeiro senão por completo. “Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança; pois, segundo ele é, também nós somos neste mundo” (v. 17)

Possuir o amor de Deus resulta em confiança destemida em relação a Deus e ao amor pelos irmãos. Aquele que conhece esse amor não teme enfrentar a Deus no dia do Juízo.
O perfeito amor lança fora todo medo, ou seja, o amor de Deus afasta o ódio.
Que sejamos obedientes a Deus e a sua palavra, para que assim possamos ser aperfeiçoados neste grande amor que não tem limites. Amém!